A aflição do Pipo começa ao chegar ao hospital, no carro já vinha a chorar porque lhe dissemos que ia ao médico, em pânico perguntava se lhe iam mexer na ferida. Quando vê que não vamos ao habitual edifício das consultas, volta a ter outra ataque de pânico implorando para não deixarmos que lhe tocassem. Que podemos dizer? Não conseguimos mentir-lhe, iam tocar-lhe e esperávamos que ele tivesse o mínimo de dor possível. Tudo aconteceu muito rápido, quando chegámos ao quarto já estavam a levá-lo, nem tempo tivémos de lhe dar um beijinho, todo o caminho ia assustado, em silêncio. Uma hora depois...
Correu bem segundo os médicos, tiveram que "entrar" mais pelo o que o Pipo terá que ficar a noite no hospital, é a terceira que faz e a primeira em que tem que ficar internado. Nem sei que cara fizemos ao médico quando nos disse isto, queria fazer-lhe tantas perguntas mas fiquei ali sem me mexer e ainda há que considerar que eles que já falam um idioma muito técnico fazem-no obviamente em espanhol o que nos deixa ainda mais perdidos.
Foi o pai que entrou no bloco operatório para estar ao seu lado quando acordasse, já nesse momento dava sinais de que a recuperação não ia ser fácil e já no quarto provisório dormia e quando acordava, estava aflito, queixava-se de dores, não queria nem beber água. Estava com o soro e toda a medicação era via intravenosa, por isso queriam que ficasse, tinham aberto mais, ele tinha sangrado mais e terá mais dores pelo que lhe custará mais engolir seja o que for. Vomitou aflito, queixou-se de dores na zona da ferida, tem a cara inchada como das outras vezes.
Pedimos que lhe dessem algo para as dores, assim o fizeram, já são sete da tarde e ainda dorme, é a única coisa que o deixa tranquilo e confortável. A ver como acorda...